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Fazendo amigos - o blog do Primo Albino


O medo da ficção

Uma boa parte das pessoas que conheço que pensam em fazer um filme pensam em fazer um documentário. Estudam, empenham seus esforços para isso. Fazem isso, embora não percebam, porque têm um medo incrível do fracasso de um mau longa de ficção. Um mau longa de ficção é um filme ruim. Um documentário mala é... bem, um documentário.

Um bom longa de ficção, porém, é um bom filme. Para ser um bom filme, um documentário tem que ser monumental. Raríssimos são. Santiago, que eu não assisti mas é citado como exemplo por algumas dessas pessoas, não tem como ser. Assim como não serão os documentários confessionais sobre as avós ou as empregadas das pessoas que farão a próxima geração de documentários.

Assim como não seria um documentário sobre o sertão onde viveu Luiz Gonzaga. Um bom longa sobre Luiz Gonzaga, entretanto, pode muito bem ser excelente. Dificilmente será, porque as pessoas que têm talento para fazê-lo assistiram Santiago. E lêem a Piauí. E acham que Santiago é modelo para alguma coisa. Não farão, portanto, um grande longa, porque terão receio de fazer um filme besta. Mas produzirão horas de filme sobre suas avós. Ou sobre suas empregadas.



Escrito por Primo às 12h22
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Acabou o amor

 

Minha história de amor com a Folha de São Paulo é antiga. Começou há uns 25 anos, em 85, quando a Folha começou a embarcar na redemocratização, e eu comecei a entender o que lia. Tinha, na época, 12 anos.

A verdade é que a Folha, os jornalistas da Folha, fizeram parte da minha formação. Com a Folha aprendi a ser crítico, a desconfiar do poder e a contestá-lo. Na época, a Folha era menor que o Estado, vale lembrar.

Era a época de Paulo Francis, é verdade, mas também era a de Cláudio Abramo - o primeiro, à época, uma espécie de, como chama aquele cara italiano da Veja? esse aí, mas com conteúdo, e o segundo o maior mestre do jornalismo brasileiro em todos os tempos. Era a época em que a Folha decidiu que, para ser o maior jornal do Brasil, tinha que ser o melhor. Que tinha que ter os melhores jornalistas, e dar espaço para eles inovarem.

Pode ser, admito, uma visão romântica, adolescente. Com a qual eu cresci. Com o tempo, em um momento de virada na vida, percebi que tinha mais de jornalista que de advogado ou administrador, as carreiras que tinha escolhido, e mudei de lado. Na Folha.

Com a Folha aprendi a ser cidadão, e com a Folha aprendi a ser jornalista.  Aprendi com uma das melhores professoras que tive em qualquer matéria, diga-se, pessoa apaixonada pela Folha como eu, e conhecedora profundíssima da labuta e do método do jornalismo diário.

É verdade que eu só me tornei jornalista porque a Folha tem um programa de treinamento. Assim como é verdade que, precisamente quando eu entrei nesse programa, o jornal resolveu se desvirtuar por meio dele. Entendeu que para o leitor tanto faz quem escreve o que ele lê, e que é mais barato contratar um jovem com talento do que um jornalista experiente. Foi, na verdade, no caminho oposto ao do mundo todo, que entende que o jornalismo diário só fará sentido se tiver qualidade.

A Folha, não. Abre-se o jornal e, se não se tiver uma história lá dentro, não se conhece mais ninguém que lá escreve, ou se conhece alguns poucos. O modelo é o “Pavones e Zidanes” do jornalismo: um jornal feito por focas, mas com colunistas famosos.

Pois bem, há tempos isso me incomoda. Dá desgosto ver na capa do jornal uma matéria mostrando que os ciclistas não descem da bike para atravessar a faixa de pedestres da ciclovia. Apostando no absoluto “micro” na polemiquinha, na picuinha, ao invés de, como fez nos anos 80, quando virou o maior jornal do Brasil, se preocupar com o quadro maior.

Não é à toa. Quem faz o jornal não tem referência, não tem vivência. Quem o edita não tem, na maior parte das vezes, competência. Os critérios para chegar lá, em alguns casos, têm mais a ver com os relacionamentos pessoais do que com o mérito. Os muitos profissionais competentes não têm os meios para fazer o jornal que poderiam, até porque são poucos.

Pois bem: passei 20 dias entre Nova Iorque e a Espanha. Li quase diariamente o New York Times e o El País. É bom demais, mas dá uma tristeza perceber no que se transformaram nossos jornais, e a Folha especificamente. Mercados diferentes? Sem dúvida. A Folha, porém, em outros tempos, acreditou em transformar esse país em que ninguém lê. Agora optou por se adaptar a ele: ninguém lê, dos poucos que lêem, ainda menos têm qualquer tipo de senso crítico. E os que têm não têm mesmo opção. Portanto, vamos fazer um jornal barato.

Não é como jornalista que acho uma estupidez, é como empresário. É apostar em um modelo de curtíssimo prazo, e que vai matar o jornal. Que vai afastar os únicos leitores que permaneceriam.

Não me importo de ver que um fascista escreve no Estadão, o Estadão é o jornal dos fascistas. Me basta não lê-lo - o fascista. Ler na Folha um bandido evangélico apontando o dedo contra a “ditadura gay” me ofende. Me entristece. Me magoa. E, com essa gota d’água, cancelei hoje minha asinatura da Folha de São Paulo.

“Mas o senhor está conosco há onze anos”, me disse a atendente. Não, estou há 25. E é por isso que este jornal que é feito hoje eu não consigo ler sem ficar triste. Portanto, não o leio mais. Infelizmente, acabou o amor.

 



Escrito por Primo às 12h29
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O que está por trás do ataque da Placar a revista ESPN

(O texto abaixo foi publicado no blog da revista ESPN. Como não foi consultada sobre o texto e é parceira da Placar na Bola de Prata, a ESPN pediu para que o texto fosse retirado do ar para evitar uma saia justa. Como somos parceiros da ESPN e entendemos a solicitação, retiramos. Como não temos, nem nós nem a ESPN, nada a esconder, aqui está o texto.)

Na semana passada recebi a Placar do mês. Na abertura da seção Aquecimento, o texto do diretor da revista, Sergio Xavier, é uma clara provocação à revista ESPN. Para quem não leu, vai a última frase: “Medíocre não é Dunga, medíocre é quem o critica”. Não me parece. Para mim, medíocre é quem manda embora o Juca Kfouri para ficar bem com a CBF. Mas tudo bem, a questão é de opinião. Ou será que  não é?

A Placar cansou de copiar a Trivela quando a fazíamos, mas a Trivela era pequena, então me acostumei aos caras fingindo que a gente não existia – e dois meses depois tendo as mesmas idéias que nós. A violência do ataque, portanto, chamou a atenção. Se estamos sendo atacados, de alguma maneira devemos estar incomodando. E a explicação para isso está nos números de venda, que só recentemente vimos fechados.

O fato, e não é a revista ESPN que está dizendo, é o IVC, é que a revista de esportes mais vendida em banca em todo o Brasil não é mais a Placar, mas sim, desde o número 1, a ESPN.

Tá explicado, portanto, o editorial do segundo colocado?

Podiam fazer o que já fizeram antes: copiar um pouquinho. Melhor do que dar porrada no concorrente, certo?

Quarenta anos em um mês. É, eu ficaria irritado, também.


 



Escrito por Primo às 23h24
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Não é "a baianada"

Há uns 25 anos atrás fui à Disney World, e, lá, encontrei com um de meus melhores amigos - eu tinha uns 12 anos, acho. Comentávamos o recorrente assunto da falta de educação dos brasileiros, quando ele disse: "o problema é a baianada". Fiquei quieto porque sempre soube que essa era a cabeça dele, embora não fosse a minha - que, aos doze anos, já militava politicamente, e entendia precisamente o que ele queria dizer com "a baianada".

Voltei há poucos dias da mesma Disney, e a legendária falta de educação de nossos compatriotas só foi amplificada por sua maciça presença no território de Mickey Mouse. Ontem, porém, ao ver uma paulistaníssima madame atirar sua Pajero contra um Del Rey velho que queria, imaginem!, mudar de faixa à sua frente, ainda que dando pisca e fazendo isso muito, mas muito antes que sua Pajero pudesse chegar, me dei conta de uma verdade evidente: não, o problema não é a "baianada", e aqui podemos definir a categoria como qualquer pessoa com sotaque nordestino ou a pele um pouco mais moreninha.

A "baianada" não é problema. É autêntica. É diferente do americano médio, do turista médio, aparece, faz barulho, mas não incomoda. Porque, afinal, cada povo é um, e tem que ter suas particularidades respeitadas. Nossa "baianada" é festiva, e comemorada por isso. O problema não é ela. É a "paulistada". Ou a "dasluzada", se preferirem. A gigantesca legião de idiotas gritando em seus nextels fingindo importãncia e riqueza. E querendo se diferenciar da "baianada".

Não é o povo que faz barulho que incomoda. É o que, discretamente, busca privilégios em parques, hotéis e restaurantes, no modelo do nosso "jeitinho". Mas sempre com seus moletons Abercrombie cinzas. É esse o brasileiro que nos envergonha, o que tem vergonha de ser brasileiro pelas virtudes de ser brasileiro (o jeito expansivo de ser, de fazer amizade com todo mundo). E que é brasileiríssimo no desapreço pela igualdade entre todos na aplicação das regras, sejam elas nas filas sejam elas nas estradas. Que é a melhor qualidade dos americanos.

Por mim, era simples resolver: para entrar na América, peça-se a carteirinha do Paulistano. Quem tiver, é barrado e banido para sempre. E, aliás, condenado a não sair do Brasil para toda a eternidade, para não envergonhar a "baianada", que não é obrigada a ser identificada com esse tipo de idiota.

Em tempo: não preciso explicar que a carteirinha do Paulistano é uma generalização, certo? Que há idiotas em outros clubes, ou sem cluube, e que há diversos não idiotas no Paulistano? Entendido, né?



Escrito por Primo às 11h32
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A minha questão com o professor Belluzzo

 

Não tenho, nem nunca tive, simpatia pelo professor Belluzzo. Isso começou há muitos anos, quando eu era um militante covista, e ele, um secretário quercista. 


Em 2008, recebi da publisher da Carta Capital, Manuela Carta, convite para me associar a sua revista na criação de novos títulos. Fui conversar com o professor Belluzzo, que é dono de 25% da revista. Ele não conversa com ninguém, dá aulas. Finge que ouve o que você fala e, nas duas vezes em que conversou comigo, concordou com tudo. Na primeira vez, abençoou a união. Na segunda, meses depois, reafirmou que o projeto era bom, e nos disse para ir em frente.


Pois bem: semanas depois desse segundo encontro, o professor Belluzzo mandou a Carta Capital abandonar o barco. Ligou pra você? Porque pra mim ele não se deu ao trabalho de ligar.


Quando o professor Belluzzo assumiu o Palmeiras, portanto, eu não me empolguei, porque o conheço de perto. Lembro, por exemplo, que sua revista anunciou a queda do presidente do Banco Central, que não caiu. Seu substituto? Luiz Gonzaga Belluzzo, como disse na Folha essa semana Elio Gaspari. O cara tinha uma informação privilegiada e usou? Ou era "campanha" da revista dele? Só que o Lula mudou de idéia. 

 

Sei mais eu. Sobre como a Carta Capital sobrevive, e sobre o papel do professor Belluzo nisso. Mas isso eu não conto, porque eu, ao contrario do professor Belluzzo, tenho palavra. Sei, como é público mas poucos lembram, que Belluzzo é dono de faculdade, e não um simples acadêmico. Que tem cargos no governo. Que é amigo do Lula e do Serra ao mesmo tempo. Sei que o professor Belluzzo, ao contrário do que querem fazer crer seus amigos e admiradores, não é um cara sensacional que pirou por causa do futebol. É, ao contrário, um reizinho mandão, acostumado a sarneyzar, e agora atuando em uma seara em que não pode levar a bola embora porque é dele. E isso o deixa doente, não o futebol. Que, repito, não deixou doentes Fernando Carvalho, embora esse também tena feito bobagem, nem Marcelo Portugal Gouvêa, esses, sim, profissionais exemplares que se dedicaram ao futebol e foram vencedores, mas de quem pouco se fala.

 

Não gosto do cara, e isso é claro e declarado. Mas não é por isso que eu o critico. Eu também não gosto do Andres Sanchez, mas não o critiquei nos últimos muitos tempos. Por que? É simples: ele não deu motivo. Como são-paulino que sou e todo mundo sabe, tenho um bode sobrenatural do Marco Aurélio Cunha. Mas não posso criticá-lo por causa disso. Ou seja: eu não gosto do Belluzzo, mas falo mal dele porque ele dá motivo, e se um cara que eu gosto der motivo, vai ser igualmente criticado - Fernando Carvalho, por exemplo. E se o Belluzzo der motivo, vai ser elogiado, como foi quando contratou o Love.

 

Como muita gente boa diz, e eu gosto de repetir, jornalismo é sacerdócio. Se eu quisesse ganhar dinheiro, não tinha largado meu emprego anterior, e teria uma vida bem mais confortável. Ou seja: não entrei nessa pra fazer média com ninguém. Entrei porque acredito que posso fazer coisas diferentes. E não se pode fazer coisas diferentes sem ter valores firmes. E eu tenho. Critico quem faz bobagem, seja meu amigo ou não. E, quando tenho algum problema com alguém, é claro, declarado. É assim que eu acredito que as coisas têm que ser, e se algum dia alguém me vir fazendo diferente, puxa minha orelha na hora.

Por fim: está aqui no meu blog e não no da Trivela porque não acho que seja assunto para a Trivela. Mas acho que quem se interessar tem o direito de saber.

 



Escrito por Primo às 09h41
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Outro dia fui num show, bacana, na saída pensei: devia ter tuitado. Poucos dias depois, fui num show de novo, e lembrei. E fui tuitar. Mas, para tuitar, tive que... parar de ver o show direito!

É a velha piada da Sharon Stone (a personagem feminina mudou várias vezes, a primeira provavelmente foi Eva). O cara sofria um naufrágio e ficava perdido em uma ilha, só ele e a Sharon Stone. Que, claro, resolvia transar com ele loguinho. Depois do sexo, o cara entregava um chapéu e um bigode postiço para ela e dizia: "Agora você pode dar uma volta na ilha e fingir que é outra pessoa?" Ela: "Pra que?" E ele: "Qual a graça de comer a Sharon Stone se eu não tenho ninguém pra contar?"

Pois é esse o Twitter! Não precisa mais pedir para a Sharon Stone dar uma volta na ilha, basta tuitar, que todo mundo fica sabendo. Só que estão todos tão obcecados em deixar as pessoas saberem das coisas legais que estão fazendo, que param até mesmo de fazê-las para poder contar que as estão fazendo! Afinal, o legal não é fazer, é deixar as pessoas saberem que você fez. Tem gente que tem Twitter só pra isso!



Escrito por Primo às 01h46
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Priviu posições Premier League

(Guardian, Times, Independent)

 

1º LIVERPOOL: 2o

2ºMANCHESTER UNITED 3o 3o

3º ARSENAL , 4º, 4o

4ºCHELSEA 1o

5º TOTTENHAM HOTSPUR

6º MANCHESTER CITY 4o 5o

7º ASTON VILLA 7o

8º EVERTON 8o  

9º SUNDERLAND 9o 11o

10º BLACKBURN ROVERS: 12º 11º 12o

11º FULHAM 10º  12º 10o

12º WEST HAM 11o 10º 9o

13º WIGAN ATHLETIC  15o 13º 13o

14º BOLTON WANDERERS 13º 14º 15o

15º STOKE CITY 14º 16º 14o

16º BIRMINGHAM CITY 17º 17º 18o

17º PORTSMOUTH 19o 20º 17o

18º WOLVES 18o 18º 16º

19º HULL CITY 20º 19º 19o

20º BURNLEY 16º 15º 20o

 

 



Escrito por Primo às 21h47
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Prisão para Palocci

A discussão em torno no futuro de Antonio Palocci é quase tão surreal quanto a situação de José Sarney. As pessoas parecem ter se esquecido do que fez Palocci: usou a máquina do estado para pressionar um cidadão que denunciava sua participação em um esquema de corrupção. Usar a máquina federal contra um cidadão é algo que mesmo as ditaduras demoram para começar a fazer. É o que sabemos que o Sarney faz no Maranhão, o Renan em Alagoas, e por aí vai.

No governo federal, porém, nem o Collor usou a máquina contra um, repito, um cidadão, e ainda um coitado, um caseiro. Cujo "crime" foi dizer que Palocci frequentava uma casa onde se faziam "negócios", o que o ex-ministro negava.

Como Palocci foi uma mãe para os bancos e para o big business, entretanto, todos esquecem. Lula, principalmente. Se é que existe uma escala de corrupção, o crime de Palocci é muito mais nojento do que a maior parte daqueles que se vê no noticiário todo dia, porque foi direcionado contra uma só pessoa. Como é que alguém pode perdoar isto, como se fosse um delito menor?



Escrito por Primo às 14h33
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Deixa a Dilma em paz!

É raro que as pessoas achem que devem dedicar sua vida, ou parte dela ao país. Até por isso, quem já fez isso por algum tempo deveria ser "liberado" de fazer para sempre. E a ministra Dilma Roussef, digam o que disserem os fascistas, dedicou uma parte de sua vida à pátria quando se arriscou à morte para salvar o Brasil da ditadura fascista que o governava.

A ministra Dilma, porém, está doente, mesmo que não esteja, está convalescendo, e é cruel exigir de um ser humano que não possa cuidar de si próprio simplesmente porque o "Projeto" prescinde de outra pessoa para personificá-lo. Que se volte a falar em terceiro mandato, que se jogue um candidato laranja, qualquer coisa. Mas deixem a ministra ir para casa se cuidar. Em 2012, Dilma volta com saúde, segurança de sua saúde, e força, além da moral que vai ganhar com a população com sua (nova) luta.

Mas em 2010, não dá. Deixem a Dilma em paz!



Escrito por Primo às 11h22
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Fezes

Triste é o país em que uma campanha como a do "faça xixi no banho" tem repercussão. A idéia, pra começar, é idiota: a pessoa teria que urinar enquanto se ensaboa para economizar alguma água, certo? O "gênio" do marketing que criou a campanha pensou nisso? Fora que idéias como essa desacreditam todas as boas idéias do mundo no sentido de economizar água.

É disso que vive nossa publicidade, infelizmente. Idéias pretensamente geniais, que não vendem nem conceitos nem produtos, mas que servem para dar risada no bare se achar genial. Os publicitários fazem campanhas para eles mesmos acharem legal, e acham. E com isso, se acham. 

E que se dane o cliente ou o produto. E, no caso, o planeta. Afinal, se o cara caga na campanha, por que não mijar no banho?



Escrito por Primo às 18h48
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ética

De vez em quando sai uma pesquisa sobre os números da pirataria no Brasil e no mundo. E surge aquele papo furado de "ética". Furado? Sim, furado. A indústria de software pratica margens de, pelo menos, 50% em seus produtos, além de ter práticas monopolistas. Isso é ético? A indústria da música cria Jonas Brothers, Sandy e Junior e Milli Vanilli. É ético? E a indústria cinematográfica, se pauta sempre por padrões éticos ou durante o macarthismo os artistas "comunistas" sofreram o diabo? E nenhum desses caras, claro, faz doações para políticos corruptos e lobistas, aqui e nos EUA, né?

Ética no olho dos outros é colírio!



Escrito por Primo às 09h57
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Se Dorival Caymmi fosse paulista

Sua morte teria passado meio desapercebida. Seria considerado um compositor do "segundo time". Não entendo bem por que, mas o Brasil considera a Bahia um estado "bacana"...



Escrito por Primo às 16h03
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Dois lados

Tudo sempre tem (pelo menos) dois lados. E hoje em dia ninguém escapa mais sem olhar os dois. Entre os principais assuntos do dia, a guerra entre a Rússia e a Geórgia. Tudo, ou quase tudo indica, que a Rússia invadiu a Geórgia. Pessoalmente, até acho que a Geórgia provocou, e você não provoca seu vizinho fortão. Além disso, se a maioria da população da Ossétia do Sul é russa, por que é que os caras têm que continuar devendo lealdade à Geórgia? Aí estou zapeando pela net quando caio no Blog do Alon, jornalista do Correio Brasiliense (aqui). Que diz o seguinte: por que é que o mundo inteiro apóia a independência do Kosovo e não a da Ossétia do Sul? Justamente por isso: a gente não consegue olhar o tempo todo para todos os lados disponíveis. Em casos assim, é claro, bom senso ajuda.

Por outro lado, em vários blogs, leio defesas da China, com argumentos "estranhos". Um artigo que eu já tinha lido - e que li hoje de novo em um blog - lembra que o Tibet nunca foi tão independente assim, e que nunca foi "bonzinho". Alguns outros lembram que a China não é a única a violar os direitos humanos. Fato. Mas é a única a fazer tantas cagadas de uma vez só. Não tem democracia, não tem liberdade de imprensa, vigia seus cidadãos (vale ler a Naomi Klein na RS do Obama) e, ainda por cima, está cagando para o meio-ambiente.

"Estão com medo do desenvolvimento da China!", li em algum ligar. É claro que eu estou com medo. Se o mundo inteiro tiver que copiar o padrão chinês para se manter competitivo, vou ter que viver em um mundo inteiro bastante insuportável. Se os chineses "culturalmente" aceitam isso, com dizem alguns supostos "multiculturalistas" (o que, diga-se, é uma bobagem), que se fodam. Eu é que não quero viver daquele jeito.



Escrito por Primo às 03h43
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(de agosto de 2005)

Estou lendo aqui na Folha Online que o Washington Post de hoje disse que o Brasil não permitiu que uma fábrica de urânio sua no Rio fosse inspecionada pela Onu.  O governo brasileiro diz que a fábrica produz um urânio que só é bom pra gerar energia.

Deixando de lado a questão atômica em si, fiquei com uma dúvida: alguém inspeciona as instalações nucleares americanas ou eles podem fazer armas atômicas numa boa?

Acho oportuno começar com isso porque simboliza um pouco o “vazio” que eu acho que vivemos hoje, onde ninguém contesta porra nenhuma do que parece “normal”.

Um outro exemplo: copa do mundo de ginástica, no Rio. O Brasil ganha, com um brodinho que nunca tinha passado de quarto lugar em porra nenhuma, uma medalha de ouro. Todo mundo enaltece o cara e sai pedindo dinheiro público pra ginástica artística. Francamente, ginástica artística. E, lógico, aproveita para xingar os “mercenários do futebol”, lembrando que esses mercenários não ganham –e nem deveriam ganhar, diga-se– um tostão de dinheiro do governo.

Tudo bem, uma coisa não tem porra nenhuma a ver com a outra, mas tem, percebem? Ninguém elabora, ninguém raciocina. Todos sentam na frente da TV e repetem os raciocínios da moda, seja o a favor ou o contra. Essa história da ginástica, hoje, causou furor em um almoço de que participei. Antes de algum fascista comentar que a Daiane parece um macaquinho, o papo era todo de que todo mundo é a favor das pessoas que “levam o nome do país”.

Levam o nome do país pra onde? Pra onde é que o Senna levou o nome do país? O que é que isso serviu pro Brasil, porque pra família dele eu sei bem pra que é que serviu.

Acho que é um bom exemplo de como hoje temos dificuldade de ter objetivos “maiores” em nossas vidas. A luta por um mundo melhor foi substituída pelo voluntariado em alguma instituição que dê alguma sobra pra meia dúzia de pobrinhos. Voto no Maluf, mas dou esmola!

Sabe porque é importante a Daiane? Pra gente achar que faz alguma coisa pros pretos não seqüestrarem os brancos nas esquinas do Morumbi.

O máximo que temos de contestação é a Heloisa Helena, e o que é que ela contesta? O corte da aposentadoria de meia-dúzia de marajás.

Estou disposto a defender os verdadeiros radicais, mas quero que se foda a Heloísa Helena. E o Babá e a Luciana Genro, defensores das aposentadorias milionárias de uma meia-dúzia em detrimento da maioria esmagadora da população. Sabiam, aliás, que no Word for Windows não existe foda. Só folder. Que se folder.



Escrito por Primo às 01h33
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(agosto de 2003)

As pessoas, em geral, não querem decidir nem ao menos o que elas acham legal. Elas querem saber o que todo mundo acha legal pra elas poderem achar também. Por que você acha que as séries americanas têm aquela risadinha no fundo?



Escrito por Primo às 00h54
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